Menencório

100

Outras histórias há que não podem ser contadas. Não porque desmereçam, não. É o caso da história de um crente e da sua fé, e de como nela encontrou angústia em vez de paz. Porém, quanto mais angústia encontrava, mais piamente acreditava. Foi essa história que traçou o meu percurso por Hong Kong, como um mapa que se sobrepõe a outro mapa e lhe adivinha novos percursos. Mas a angústia pode servir para tudo, menos para a escrita. A história do crente e da sua fé poderia contar-se, sim, mas somente respeitando essa sintaxe lacrimal. O limite, porém, é imposto pelo pudor.

Beati qui lugent nunc quoniam ipsi consolabuntur: abençoados os que choram agora, pois esses serão consolados.

O blogue migrará por uns tempos para o meu caderno, com o qual tem convivido, e a minha vida cibernética rende-se à angústia para se entregar, obediente, ao silêncio das lágrimas.

Até breve.

99

Hong Kong-Pequim, Pequim-Frankfurt, Frankfurt-Lisboa. Há histórias, inúmeras, por contar: a aventura no aeroporto de Pequim por falta de um documento; o episódio do businessman chinês que me interpelou num centro comercial; a caminhada de 8 quilómetros pela ilha de Lantau, à procura de um edifício particular. E mais, que quem viaja sozinho normalmente guarda mais histórias caricatas. Um cartão de memória, sete rolos, uma viagem por escrever. A seu tempo.