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por Menencório
Um amigo relembra-me São Paulo: «Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos» (1 Cor 13:9). Outro diz-me que ando hiper-racional, que sofro de «excesso de lucidez».
Há muito tempo que não me lembrava de um sonho.
A noite passada sonhei que estava em casa da M—. Tinha de esperar que ela adormecesse para poder entrar na cozinha. Aí, junto ao frigorífico, habitava o Minotauro. Mal me lembro do combate. Saí pela varanda, enquanto ela ainda dormia. O Minotauro jazia morto no chão.
Envio uma mensagem à M— pela manhã. Relato-lhe a chacina. A casa dela não tem varanda. Remete-me para um dicionário de sonhos virtual. Digito «Minotaur»:
«To see a minotaur in your dream denotes a union between your intelligence and your instincts. Alternatively, the dream refers to a situation in your waking life which may be larger than you can handle. You are feeling overwhelmed.»
Em sonhos chacino a união entre a razão e o instinto. Falta cortá-la cerce na realidade. Porque em parte profetizo. Porque sofro de excesso de lucidez.